Brasileiro recém-chegado aos EUA pode financiar imóvel mesmo com pouco histórico de crédito

Revista Coffee Business
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Histórico de aluguel, organização financeira e planejamento antecipado podem aumentar as chances de aprovação para a compra da casa própria

Construir um histórico financeiro nos Estados Unidos é uma das primeiras preocupações de muitos brasileiros que chegam ao país e desejam comprar um imóvel. Apesar da importância do crédito, ter pouco tempo de histórico não significa, necessariamente, que o comprador precisará esperar vários anos para conseguir um financiamento.

Segundo Julio Cesar Silva, especialista em financiamento imobiliário nos Estados Unidos, o crédito representa apenas uma parte da análise realizada pelas instituições financeiras. Dependendo do programa, também podem ser considerados fatores como renda, estabilidade profissional, valor da entrada, reservas financeiras, relação entre renda e dívidas e documentação apresentada pelo cliente.

“Ter um histórico de crédito curto nos Estados Unidos não significa automaticamente que a pessoa não vai conseguir financiar um imóvel. Existem programas diferentes para perfis diferentes, inclusive para clientes que ainda estão construindo seu histórico no país”, explica Julio.

Para quem acabou de chegar, uma das alternativas é começar a construir crédito por meio de um secured credit card, cartão garantido por um depósito realizado pelo próprio cliente. O uso responsável, com saldo controlado e pagamentos feitos dentro do prazo, pode ajudar na formação do histórico financeiro.

Julio Silva
(Julio Silva)

O especialista alerta, no entanto, que abrir diversas linhas de crédito em um curto período ou assumir dívidas apenas com o objetivo de aumentar o score pode provocar o efeito contrário e comprometer a capacidade de financiamento.

Outro fator que pode contribuir para a análise é o histórico de pagamento do aluguel. Em determinados programas, a comprovação de pelo menos 12 meses de pagamentos realizados pontualmente pode ajudar a demonstrar que o comprador administra de forma responsável uma despesa mensal de moradia.

“Uma orientação importante é evitar o pagamento do aluguel em dinheiro. O ideal é utilizar cheque, transferência bancária ou pagamento eletrônico, porque essas formas permitem comprovar que os valores foram pagos todos os meses e dentro do prazo”, orienta.

Quando o aluguel é pago em dinheiro e não há documentação adequada, pode ser mais difícil demonstrar a regularidade dos pagamentos. Por isso, mesmo quem ainda não pretende comprar um imóvel deve começar a organizar e registrar sua vida financeira desde os primeiros meses no país.

A procedência dos recursos também merece atenção. Durante o processo de financiamento, não basta apresentar o valor disponível para a entrada e as reservas. Em muitos casos, é necessário documentar a origem do dinheiro e explicar determinadas movimentações bancárias.

“Não é somente quanto dinheiro você tem que importa. Muitas vezes também precisamos entender e documentar de onde aquele recurso veio. Por isso, é importante evitar movimentações financeiras difíceis de comprovar”, afirma Julio.

Entre as principais recomendações estão pagar as contas em dia, evitar dívidas desnecessárias, manter os documentos e extratos bancários organizados e formar uma reserva financeira para a compra do imóvel.

O planejamento, segundo Julio, deve começar antes mesmo da procura por uma propriedade. Uma análise realizada com seis meses ou até um ano de antecedência permite identificar pontos que precisam ser melhorados e definir uma estratégia de acordo com o perfil do comprador.

“Não espere encontrar a casa para conversar com um profissional de financiamento. Ter pouco tempo de histórico nos Estados Unidos pode limitar algumas opções, mas não significa necessariamente que o brasileiro precise adiar o sonho da casa própria”, conclui.

(Crédito: Divulgação)

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